domingo, 26 de julho de 2015

Nem aqui nem na China


O Mercadão de Madureira é aquele tipo de lugar em que você entra, não consegue sair e envelhece lá dentro. É meio Caverna do Dragão, meio Saara (o centro comercial), sabe? Antes daquele incêndio de uns 20 anos atrás era muito pior, mas eu continuo me perdendo nos corredores daquele lugar.
Tem de um tudo no Mercadão: artigos para festas, escolares, religiosos, medicinais... Pensa aí numa coisa impossível de achar. Pensou? Tem lá.
Uma vez, eu estava em Madureira e resolvi dar um pulo lá porque estava atrás de não sei o quê. Mentira, sei, sim. Eu ia a uma festa à fantasia e precisava de uma peruca pra montar a minha personagem. Muitos dos comerciantes do Mercadão são orientais, daqueles que têm o hábito de, na nossa frente, se comunicar entre eles e em suas línguas pátria pra que a gente não saiba do que estão falando e do que tanto riem. Não tenho dúvida de que estão sempre me xingando e rindo da minha cara de palhaça perdida ali, naquela selva de brinquedo, isopor, condimento, papel celofane, bibelô e imagem de santo.
Entrei na loja, perguntei se tinha a peruca do jeito que eu queria e fui imediatamente descartada por uma chinesa por que é assim mesmo que eles fazem quando a gente procura por alguma coisa que eles não têm. Saí, dei uma volta, subi escada, desci escada, mirei outra loja do gênero, entrei, procurei pela peruca em todos os cantos, não achei e me dirigi àquela que parecia ser a dona da loja. Era a mesma mulher e eu demorei uns 5 segundos pra me dar conta disso. Ela olhou pra mim com cara de "cê tá de sacanagem, né?" e não se deu o trabalho de me responder. Fiquei invisível. 

Saí e fui achar o que eu buscava em outra loja, também do Mercadão, também de donos orientais monossilábicos, mas fui embora decidida a me matricular num curso de mandarim e, assim que notar que estão rindo da minha cara, encher o peito e dizer: "cês tão falando de mim, né, seus puto?". Tenho certeza de que eles ficarão espantados com a minha sagacidade e entenderão, de uma vez por todas que, enquanto eu viver, não permitirei que eu seja motivo de chacota deles. Nunca mais. Em lugar nenhum. Nem aqui nem na China.


sexta-feira, 24 de julho de 2015

Uber x 99Taxi


Hoje à noite, eu vou encontrar uns amigos na zona sul. Não quero ir de metrô, de trem, de bicicleta do Itaú, tampouco de ônibus. Quero que um carro venha me buscar e me ofereça brigadeiros e caipirinhas de frutas da estação como passatempo da minha viagem. Ah, quero toalhas brancas com aroma de Comfort Flores do Campo também. Em troca, prometo amor eterno e ampla divulgação nas redes sociais. Aguardo contato.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Camila me humilha


Pra você ver como é a vida... A Camila Pitanga, sem maquiagem, e flagrada no metrô com uma roupa de "vou dar um pulo ali, no Prezunic, pra comprar um azeite" é infinitamente mais linda do que eu num dia de "estourei o limite do cartão montando esta superprodução digna de tapete vermelho".

quarta-feira, 15 de julho de 2015

No cartório


Enquanto isso, no cartório...

TABELIÃO: e qual vai ser o nome?


PAI: Wellington.

TABELIÃO: como?

PAI: U-É-LI-TON.

TABELIÃO: U... Peraí. "É" o quê?

PAI: liton.

TABELIÃO: É...?

PAI: liton.

TABELIÃO: pronto. Tá registrado.


Cortei o rostinho do bebê porque, né? Não tem necessidade. Mas garanto uma coisa: Éliton é lindo. Poderia se chamar "Élindon", inclusive.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Meu 7x1 particular


Ter de encarar, todos os dias, o ar condicionado congelante do BRT é o que eu chamo de meu 7x1 particular. Quem conhece bem o meu frio patológico sabe que a minha moda é roupa sobre roupa, uma tentativa quase sempre frustrada de me aquecer no inverno.
Nesta partida, eu sou o David Luiz chorando copiosamente, o ar condicionado é a Alemanha e o passageiro mais ágil e mais esperto que consegue o assento da janela é o Podolski, aquele adversário mais competente, bonitão e boa-praça que a gente não consegue odiar.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

A loira do BRT


Dos mesmos criadores de "a loira do banheiro", vem aí, "a loira do BRT", uma lenda urbana (nem tão lenda assim) pertinho de você! Nesta aventura, a já popular passageira do terminal Madureira segue, todas as manhãs, aprontando altas confusões. Acostumada a, sem cerimônia alguma, furar a fila e provocar a fúria nos demais passageiros, ela resolveu virar a mão na cara do agente que a impediu de fazer isso de novo. Essa loira é do barulho! Até a polícia teve de ser chamada para controlar os ânimos dessa turminha da pesada. Vc vai rir pra cachorro com essa encrenca tamanho família!