segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Números


Você passa a infância toda decorando regrinhas de tabuada. Depois, no começo da vida adulta, tem de decorar os números do RG e do CPF e inventa uma melodia só sua, um método só seu pra ter aqueles números pra sempre de cor. Aí você cresce e fica aliviado porque a tecnologia é uma mão na roda e se dá conta de que não tem mais que decorar datas de aniversário nem números de telefone. Você fica um tempinho nessa ilusão. Acredita que nunca mais precisará memorizar número nenhum, mas aí a NET resolve mudar os números de praticamente todos os canais e você, desolado, chega à conclusão de que perdeu mais uma batalha.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Cantando com você


Hoje cedo, depois de levar a Milena na fono, aproveitei a carona do meu pai e desci num lugar pra resolver uma coisa que, pelos meus cálculos, não tomaria muito tempo. Meia hora, no máximo. Como não tinha lugar para estacionar, pedi a ele que a levasse pra algum canto e disse que eu ligaria assim que acabasse. 

Saí do carro sem bolsa, apenas com um envelope na mão e com o celular no bolso da calça, que eu só fui me dar conta de que estava praticamente descarregado quando o carro sumiu da minha vista. Pensei "ah, tem orelhão, né?" e fui lá fazer o que tinha pra fazer. Em 10 minutos eu já tinha resolvido tudo. Ao sair, já sem bateria, fui diretinho para o primeiro orelhão da pracinha de frente. Quebrado. Fui ao segundo e... quebrado também. Cheguei ao terceiro e, olha (!), estava funcionando! Liguei a cobrar para o meu pai e nada. Não completava a ligação. Tentei a minha irmã. Idem. Tentei falar com minha mãe também, mas é claro que eu não a encontrei em casa, né? Pensei de novo: "vou ali na banca comprar um cartão telefônico e ligar para o meu pai. Pronto. Problema resolvido". Mas não. Eu tinha deixado a bolsa no carro (lembra?) e estava tão lisa, que se o Luciano Huck aparecesse e me desafiasse naquele quadro em que ele multiplica o tanto que a pessoa tem em moedas por mil, eu perderia a oportunidade de faturar um extra de fim de ano. 

Eu estava incomunicável e sem dinheiro. Sem escolha, com sede e alimentando a esperança de que meu pai apareceria mesmo sem a minha ligação, sentei na praça e me deixei ser embalada pelo romântico som de Fernando Lélis, uma espécie de Odair José do Baixo Méier, que estava ali dignamente vendendo o seu CD. Voltei pro orelhão, finalmente achei minha mãe em casa, ela ligou pro meu pai, fui resgatada e deixei o Fernando Lélis pra trás. Mas como eu sou ingrata apenas na música do Latino, tô aqui divulgando o CD Fernando Lélis - Cantando com você, que me acalmou nesta manhã de desespero. Ouça! Compre! E se tiver de passagem pelo Méier, dê uma moral pra ele. Só não esqueça de sempre checar a bateria do seu celular.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A Viagem


"A Viagem" é talvez a novela que eu mais amei assistir. Amo tanto, que na última reprise (acho que em 2006), eu trabalhava meio período numa empresa de telemarketing e deixava todos os dias gravando em casa. Um dia, a luz acabou e minha mãe, num ato de solidariedade e de muito amor, ligou pra me avisar. Lembro de ela ter dito algo como "ó, não fiz nada, não mexi em nada... a luz é que acabou mesmo". O que eu fiz? Lembrei da TV 14 polegadas movida a porrada da barraquinha de doces de um ponto de ônibus lá do terminal Santa Luzia (o ponto do meu ficava a 5 minutos dali). 

Fui pra lá. Era ano de Copa do Mundo e a novela passava só alguns dias da semana. Quando era exibida, passava só uma parte. Parei ali e fiquei pra base de meia hora esperando um ônibus que nunca viria. Até comprei uma jujuba pra disfarçar. Ah, gente, era o capítulo da morte do Otávio Jordão, pô! Eu ia perder? Jamais!

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

De nada sem obrigado


Retribuo acenos que não são pra mim, digo e faço coisas absurdas, impensadas e completamente sem sentido na hora de cumprimentar os outros e sou rainha absoluta do "de nada" sem "obrigado". 

Hoje eu fui um pouquinho além. Fiz um pequeno favor a uma pessoa que eu mal conheço, ouvi dela "obrigada aí e desculpe o incômodo", mas ao invés de responder com o "de nada" que eu tanto gosto e que uso sempre fora de hora, mandei um "obrigada nada!", que soou quase como uma grosseria. Tudo isso porque eu, na verdade, queria dizer "incômodo nada!". Foi tão sem porque nem pra que, que preferi não me corrigir pra não piorar o que já estava esquisito. 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Margie do Campinho


Sempre que quero saber se já preciso dar um trato no cabelo, faço o teste que batizei como "carona do papai". Explico: quando ele (o cabelo) ganha uma forma exagerada, meu pai diz que eu o atrapalho porque precisa desviar de mim para ver o retrovisor do lado direito. Esta reclamação aciona o alerta de que preciso correr para o salão. Prático, né? Também acho. Sou praticamente a Marge Simpson do Campinho.

sábado, 16 de novembro de 2013

Da apatia à efusão


Daniela (EFUSIVA): boa tarde, senhora Renata! Aqui é a Daniela da Editora Abril.

Eu (APÁTICA): boa...

Daniela (EFUSIVA): maravilha! Que continue assim, não é mesmo?

Eu (APÁTICA): aham...

Daniela (EFUSIVA): então, senhora Renata, a Editora Abril está com uma oferta muito especial. Ao assinar a revista Veja neste mês, a senhora irá pagar apen...

Eu: não, não. Não tenho interesse, não.

Daniela: não? Mas por algum motivo?

Eu: não. Porque não. Só isso.

Daniela (APÁTICA): ok, senhora Renata. Tenha uma boa tarde.


Eu (EFUSIVA): obrigada! Pra você também!


terça-feira, 5 de novembro de 2013

4 de julho


Top Of Rock (Rockfeller Center), dia 4 de julho de 2013. Lá fomos eu e Thaisinha assistir aos fogos do m̶e̶u̶ ̶a̶n̶i̶v̶e̶r̶s̶á̶r̶i̶o̶ dia da independência norte-americana. Demos uma fortuna pra nos espremermos no meio de famílias francesas e seus "oh, là, là!", que eram nada perto dos nossos muito mais empolgantes "caraaaca, que foda!" e tudo mais. 

Quem já esteve lá sabe que no caminho até o ponto mais alto uma equipe organiza o público e o convida a fazer fotos diante de uma imagem do Rockfeller Center. Paramos, tiramos umas 3, 4 fotos com poses meio bobocas e combinamos de comprá-las assim que chegássemos lá em cima. Chegamos. Ela com um inglês médio e eu com um inglês pior nos revezávamos quando tínhamos que pedir algum tipo de informação. "Entendeu o que ele disse?", dizia uma. "Nada", respondia a outra. "Então você tenta entender a primeira parte que eu tento entender a segunda". E assim, às gargalhadas, a gente ia se virando em todos os lugares. Lá não foi diferente. Chegamos ao guichê onde as tais fotos eram vendidas. Nós nos aproximamos, perguntamos o valor para o cara, entendemos que cada uma valia US$15, dissemos uma pra outra "nossa, que barato! Vamos comprar depois dos fogos!" e voltamos para a área externa. 

Em algum momento, uma das duas (acho que ela) disse: "ele falou fifteen mesmo?". Voltamos lá e com ouvidos mais atentos, confirmamos o engano: cada foto custava, na verdade, US$50. Voltamos para os fogos e daquela noite, temos apenas os registros das nossas máquinas mesmo.