segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Boca de Matilde


Hoje cedo, Silvana entrou no ônibus falando ao celular e sentou ao meu lado. Ela conversava com Laura, que logo de cara ouviu o seguinte: "vou contar pra você uma situação, mas você tem que me prometer que não vai contar pra ninguém. Só quem sabe é meu pai e minha mãe". Eu que já tô fera nesse negócio de identificar uma boa história na condução e que tenho isso como um passatempo, depois desse pedido, aí mesmo é que parei tudo o que estava fazendo (no caso, nada) e fiquei ali me fazendo de morta pra prestar bastante atenção. Foi aí, então, que eu conheci a triste história de Bruna, contada quase que com prazer -- e pra quem quisesse ouvir -- pela minha colega de viagem. 

Segundo Silvana, Bruna estava há dias tentando falar com ela. Quando, finalmente, atendeu à ligação, ficou sabendo que Bruna teve uma das maiores decepções de sua vida: descobriu que Samuel, o marido, tem um filho de 2 anos, fruto de um relacionamento rápido, e tentava, a todo custo, esconder a existência da criança. Na ligação, Bruna "chorava de soluçar". Tadinha... Logo ela "que teve um casamento de princesa!". Como se tudo isso não bastasse, ela ainda descobriu que a mãe do menino é "feia e horrorosa, pode um negócio desses?". Que cruz, né, gente? "O Samuel...quem diria!", completou. Bruna estava arrasada e ligou pra Silvana porque elas são "amigas há muito tempo, sabe?". Implorou pra que ela não contasse pra ninguém, mas, por favor, né? Silvana não ia aguentar guardar esse segredo. 

Depois de uma meia hora contando em detalhes o drama da outra, Silvana finalizou a ligação dizendo: "Laura, tô confiando em você, hein? Pelo amor de Deus, não conte isso pra ninguém!". Desligou e, sem respirar, engatou em outra ligação. E disse: "amiga, vou te contar uma coisa que você vai ficar passada." Sim, ela contou a mesma história pra outra pessoa! Entre outras coisas, falou que a criança não tem culpa, pediu que também guardasse segredo e até onde pude ouvir (tive que descer, infelizmente), disse que por essa ela não esperava. Mentalmente eu respondi: "nem eu, Silvana, nem eu!"

Pobre Bruna... Mal sabe que a história que ela queria tanto preservar já caiu em boca de Matilde... Tsc.

Os nomes dos envolvidos foram trocados. Sei lá, vai que alguém conhece essas pessoas, né? Melhor não arriscar. De original mesmo, só Matilde.


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Falta de desinformação


Ouvi por aí: "nossa, mas é muita falta de desinformação!". E pensei: "que ótimo, né, minha senhora? Coisa boa!"

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Furby - parte 2


MILENA (preocupada): Tia, e se o Furby não quiser dormir à noite?

EU (debochada): Vc é a mãe dele e vai ter de ficar acordada a noite toda cuidando do seu filho tagarela, ué! Sua mãe e eu vamos dormir feito anjinhos.

MILENA (depois de 10 segundos de reflexão): Lembrei, tia! Eu posso tirar o aparelho e dormir. Vcs não. hahaha (Para Deus): obrigada, Deus, por eu ser surda!

Essa minha sobrinha é ou não é um mix de ingenuidade e esperteza?


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Furby - parte 1


Milena tem uma boneca que precisa de comidinha especial (e cara). Agora tem um chato pra cacete que precisa de silêncio pra dormir. Caso contrário, quem não dorme é a gente. Alguma dúvida de que o próximo boneco vai virar a mão na nossa cara?

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Quinto toque


Passava da meia-noite quando o telefone de casa tocou. Todo mundo dormindo, menos eu. Não reconheci o número e só tive coragem de atender no quinto toque. Sabe como é, né? Telefone tocando na madrugada é sinal de que alguém morreu ou foi correndo pro hospital. Atendi e era meu tio. Segue:

TIO: Renata?

EU: Tio? O que houve?

TIO: Tá todo mundo dormindo aí, minha filha?

EU: Sim. Aconteceu alguma coisa, tio?

TIO: Só tá você acordada?

EU: Só.

TIO: Sabe o que é? Eu tô perto daí e queria dar uma passadinha pra deixar, no freezer de vocês, a costelinha de porco do churrasco da mamãe.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

E agora?


Quase 3 horas parada no engarrafamento. Nenhum vendedor ambulante. Nenhum chocolatinho perdido na bolsa. Nenhuma loja aberta pra eu descer rapidinho e comprar alguma coisa pra comer. Já tô estudando a possibilidade de dar umas lambidas na pasta de dente.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A história da quase queda do celular



Sabe aquele espaço do ônibus reservado para cadeirantes? Na falta de um assento livre e de um passageiro deficiente físico, as pessoas costumam ficar paradinhas ali. Foi o que fez uma mulher. Ela ficou levemente encostada na janela, que tinha uma abertura pequena, mas grande o bastante para que o celular que ela carregava no bolso de trás da calça caísse na rua.

Um senhorzinho sentado no banco logo atrás desse espaço a chamou e aconselhou que ela o guardasse em um lugar mais seguro. Primeiro, a mulher fez uma cara de espanto. Certamente se deu conta do prejuízo que teria, não fosse o alerta daquele senhorzinho tão gente boa. Depois o agradeceu. Mais um pouco ela teria feito coraçãozinho de mão pra ele.

Bonitinho, fofo, gentil, preocupado... Não tenho dúvida de nada disso. Só não entendi até agora por que ele ficou uma meia hora falando sobre as 700 possíveis formas de o celular cair pelo vão da janela, sobre o prejuízo que ela teria se o perdesse, sobre a importância de ele ter dado o toque... Enfim, começou e não tinha hora pra parar. A mulher até desistiu do "aham" e ficou só concordando com a cabeça. Algumas vezes, nem isso fazia mais.

Foi puxado aguentar esse papo naquele engarrafamento sem fim da volta pra casa, viu? Por muito pouco eu não dei um tapinha nas costas dele e disse: "tá ótimo, tio, tá ótimo. Foi lindo, foi bacana, mas agora chega, tá?".