terça-feira, 6 de maio de 2014

Show de samba


Hoje cedo, no trem, um casal compartilhava mágoas do último Carnaval. "Eu acompanhei de perto todos os problemas do barracão" e "a bandeira da escola pesa, né?", disse ela. "A Velha Guarda tava me enchendo o saco", "os carros entraram todos apagados" e "aquele gerente de Carnaval não presta!", disse ele. E eu ali no meio, com minha pose de estátua viva da Praça Saens Pena, mas ligada em tudo o que eles diziam. 

Esse papo de Carnaval me lembrou uma das mais maravilhosas, estranhas e absurdas histórias de trem que eu já ouvi. Pra falar a verdade, nem foi uma exclusividade minha, já que o cara falava aos berros no celular. Lembro que ele estava fechando com alguém um show de samba para gringos e, entre outras coisas, negociava o número de passistas no palco. Ele dizia: "6 mulatas, não! O palco é pequeno, cara! Só dá pra botar 4. Eu sei o que tô falando, pô! Não cabe! Mas, ó, tem que ter pelo menos uma preta. Se tiver como, bota mais de uma. Não manda só mulata, não, hein? Mas tem que ser bem preta mesmo, quase azul." Quer dizer, se eu resolvesse largar tudo pra investir na carreira de passista, ainda teria que batalhar uma cota pra mulatas. Só assim eu não correria o risco de perder a minha vaga pra uma passista mais preta do que eu e que, pelo visto, anda muito mais valorizada no showbiz.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Imagina?

PAI: Fátima, hahahaha você consegue hahaha imaginar hahahaha a Renata hahahaha grávida? haahaha
MÃE: hahahahahahahahhahahahaha

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Patética



Você vai pra casa da sua prima, que está de resguardo, pra ajudar no que for preciso já que a mãe dela, sua tia, que era quem estava à frente de tudo, caiu, bateu com a cabeça num vaso e foi às pressas pro hospital. Você vai, ajuda no que pode, dá um pulo na rua pra elas e... cai de cabeça no chão. Pra não preocupá-las, você até pensa em inventar uma desculpa pra explicar todos aqueles ralados e hematomas, mas na falta de um argumento plausível, desiste e conta a verdade. Agora estão as três aí, na sala, uma ainda se recuperando da cesariana, outra com quatro pontos na cabeça e você, patética, com um galo na testa.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Drama capilar

Não costuma dar muito certo esse negócio de colocar o cabelo na mão de qualquer um, não. O meu, que tem vida própria e não esconde de ninguém o ódio que nutre por mim, que o diga. Há 2 anos, eu estava num período de transição. Tinha saído de um salão de beleza especializado em cabelos como o meu porque tava cansada da mesmice e da impossibilidade de tingir como eu bem entendesse. Saí de lá e, pouco depois, comecei a frequentar o salão da Rosa, uma cabeleireira ótima que soube tratá-lo com carinho, amor, paciência e ballayage.
Um dia, eu traí a Rosa. Estava com pressa, de saco cheio deste cabelo que cresce mais rápido do que mato em terreno baldio e corri no salão que tinha perto da minha casa. Pra ir na Rosa, eu teria que pegar um ônibus e eu não estava disposta a encarar uma condução naquele sábado quente. Ir andando até o salão perto de casa era muito mais prático. E assim eu fiz. Cheguei lá e pedi um relaxamento, uma aparadinha no comprimento e outra no franjão. Coisa pouca, coisa rápida. Saí de lá sem um cacho sequer no cabelo, com uma franjinha-marquise e com muito ódio no coração. Onde já se viu esticar um cabelo crespo e molhado pra cortar?! Esse é um princípio básico de todo salão de beleza que se preze!
Quando a mulher meteu a tesoura no franjão, eu gritei "você tá loooouca?!", mas já era tarde. A solução dela? "Ah, é só usar um grampinho de cada lado, assim, ó" e, com muita naturalidade, dividiu o meu cabelo ao meio pra mostrar no espelho que eu poderia muito bem seguir a vida adotando o penteado Maria Bethânia dos Trapalhões. Obviamente não aceitei aquilo como desculpa e fiquei esperando uma solução decente. Já de saco cheio de mim, ela disse: "aparece aí amanhã pra gente dar um jeito...". "Que hora?", perguntei. "Às 10h". Às 9h50 eu já tava lá na porta. O salão, claro, não abriu naquele dia. Era domingo de Páscoa e eu nem me liguei nisso. Voltei chorando pra casa e passei o dia todo estudando maneiras menos escrotas de ir trabalhar na semana seguinte. O microcoque com muitos grampos e muito gel foi a melhor solução. Ou a menos pior.
O dinheiro eu recuperei no sábado seguinte. Até hoje não sei por que eu paguei por aquele serviço de merda, mas o desdobramento desta parte da história é longo e eu tô com preguiça de contar agora. Meu cabelo voltou para as mãos da Rosa, de onde nunca deveria ter saído. Ele segue me odiando, mas desse episódio pra cá, mantemos uma relação de aparências. Melhor que nada, né?
Ah, não falei? O salão da outra fechou pouco tempo depois.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Suco de caixinha


No "Renata Andrade Ensina" de hoje você vai aprender a sujar toda a sua cozinha com apenas 1 suco de caixinha. Siga estes 5 passos:

1 - Pegue o suco de caixinha na geladeira.
2 - Agite-o.
3 - Destampe o suco, mas não vire no copo.
4 - Abra a geladeira para pegar o queijo.
5 - Esqueça que deixou o suco de caixinha aberto e agite-o novamente.
Prontinho.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Gravidíssima


Nada contra superlativos (até tenho amigos que usam hehe), mas vamos usar com cautela? Vamos? Por exemplo, se uma mulher está esperando um bebê, ela está simplesmente grávida. Certo? Por que, então, tem gente dizendo "gravidíssima"? "Gravidíssima" pra quê? Pra enfatizar que a mulher está com um barrigão? Não, gente! "Gravidíssima" não! Quem diz "gravidíssima', certamente, diz "mamãe do ano", outra coisa que, cês sabem, eu acho igualmente insuportável.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Milena sincera


Hoje cedo, no portão, pouco antes de a Milena sair pra escola, rolou o seguinte papo:
MILA: tia, por que você tá segurando o cabelo?
EU: porque ele tá pro alto e eu tô com vergonha dos vizinhos.
MILA: para, tia! Teu cabelo tá bonito!
EU: tá?
MILA: tá!
EU: é 1º de abril, né?
MILA: é.